Fiquei extremamente incomodada após a leitura desse livro. Já escrevi e apaguei várias vezes, sem saber por onde começar. Não porque me falte palavras, mas porque ainda sinto que minhas emoções estão bagunçadas pelo efeito que a obra me causou. Eu sinto ódio e amor, alegria e tristeza, sinto a poesia e o grotesco quando o autor da obra descreve tão perfeitamente o cenário e os personagens. Estão presentes no livro temas que são inferidos claramente, outros exigem um pouco mais de atenção. É uma leitura rica em vocabulário, que pede perseverança, embora continuar a leitura não se torne tão difícil assim, porque você quer saber que fim levou os infelizes, nos dois sentidos da palavra. Sim, porque há, pelo menos, dois significados para o vocábulo “ infeliz”, podendo caracterizar um coitado, um digno de lástima, alguém que inspira compaixão, um malsucedido, fracassado – esse é Quasímodo, um dos personagens principais- ou pode descrever o malfeitor, o desgraçado, o canalha, cafajeste- característica de outros personagens, como Claudde Frollo e Febo. Há também Esmeralda, a qual eu, inicialmente, amei por sua beleza e inocência, odiando-a, posteriormente, pelos mesmos motivos, pois a beleza e inocência lhe renderam a desgraça. Ela foi tola!

    Então, queridos leitores, foram essas emoções que me causou a dica de leitura de hoje, uma das primeiras obras do também romancista Victor Hugo, conhecido antes por suas obras dramatúrgicas e poéticas. Em seu texto, é possível perceber as várias características importantes da escrita do autor, como, por exemplo: a construção de trechos longos, cheios de descrição sobre determinado lugar ou pessoa, cirando no leitor a expectativa para saber sobre o quê ou o quem ele fala.

    Embora o corcunda, uma das características do personagem Quasímodo, faça parte do título do livro, o enredo da obra não se centra propriamente no mesmo, a obra apresenta outros personagens importantes, os quais representam uma determinada faceta da sociedade parisiense medieval. Essa confusão ocorre porque o presente título só surgiu após a tradução inglesa, em 1833. O título original é Notre-Dame de Paris , havendo também  Nossa Senhora de Paris.

    Dentre outros objetivos, vemos nesse escrito que Vitor Hugo faz uma ode à Catedral de Notre-Dame. Provavelmente porque, em 1830, período de publicação da obra, havia, em Paris, uma revolução, tratada também em outra obra sua, Os Miseráveis. Na revolução ocorria muitas depredações de prédios públicos, dentre eles a Catedral de Notre-Dame. Mas o propósito não é apenas isso! Há também crítica à igreja, crítica à sociedade, ao sistema monarquista e a outros temas polêmicos, como preconceito.

    Uma obra que, implicitamente, ou não tão implícito assim, mostra-nos o pior dos seres humanos da época, o que é perceptível também no homem contemporâneo.





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