VOCÊ TAMBÉM É ESCRITOR!

 

Todos somos escritores, pois todos nós conhecemos a palavra. Até o dito analfabeto é capaz de escrever uma história.  Então você me pergunta: “Mas como, se ele não sabe escrever? ”  É aí que entra aquela verdade que parece que nem todos conheciam: escrever começa na mente, o que faço após isso é transcrição. Eu posso exemplificar dizendo que isso que estou fazendo agora com lápis e papel na mão é, na verdade, uma reescrita, porque a escrita já está aqui no meu pensamento, em fase de pré-formulação. Observe este diálogo:

_____________________________________________

- Maria, cheguei!

-E cuma foi seu dia na mercearia hoje, João?

-Difici, Maria, difici! Eu tive tanta raiva do meu patrão. Cê me acredite que chegou um criente  pidindo pão, mar já tinha acabado. Então meu patrão me fez andar uma légua atrás de pão para esse criente? Mar eu fui com muita raiva, viu!?

- Ué! Prumo de quê cê num disse que num ia?

- Oxi!? Pra cê me fazer andar quinze léguas atrás de outro emprego? 

_____________________________________________

 

É claro que eu posso não seguir à senhora Norma Culta na fala, mas, na escrita, obedecê-la. Porém, suponha que a conversação acima tenha acontecido entre dois analfabetos e responda: embora a linguagem não obedeça à norma culta, você compreendeu o que foi dito? João, o esposo de Maria, conseguiu narrar o que aconteceu com ele naquele dia de trabalho que o deixou tão irritado? A resposta, com certeza, é sim. Pois, mesmo diante dos desvios gramaticais e da linguagem informal, uma pessoa que não sabe ler ou escrever pode produzir um texto oral. Claro que haverá limitações e tantas outras carências linguísticas, mas o “grosso” será transmitido. É por esse motivo que podemos concordar que todos somos escritores, pois todos nós conhecemos a palavra.

O que você vai fazer dessa palavra é a questão! Na próxima edição, apresentarei alguns princípios da escrita. Fique atento!


 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog